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17 de outubro de 2020

Review de "Pensa como um monge" - Jay Shetty

 

 Confesso que tinha fortes expectativas acerca deste livro. Primeiro, por estar intitulado com uma mensagem bastante sugestiva. Segundo, por se tratar de um influencer com conteúdos interessantes. Por último, por ter o apoio do autor do podcast School of Greatness, e do livro com o mesmo nome, Lewis Howes.  

No entanto, as expectativas revelaram-se demasiado altas, pois fiquei desiludido com a leviandade que o autor desenvolve os vários capítulos.

 

Apesar de ser um livro algo extenso, com 386 páginas, e estruturalmente estar bem construído, o autor não debruça com profundidade nos diversos temas, nem consegue apresentar um programa concreto e estruturado para "viver uma serena e com propósito", com é prometido no subtítulo.


O livro está dividido em três partes, seguindo três técnicas de meditação: respiração, visualização, e cânticos. As respectivas partes terminam com um guia para cada meditação, que na minha opinião apresentam o maior valor deste livro.

O autor conta a sua história de vida, fala sobre os ensinamentos que adquiriu no ashram (comunidade espiritual) com os monges, e como os aplica na sua vida depois de sair do ashram. Não gostei da forma confusa como Jay Shetty mistura tudo isso num capítulo, falando do tema em si, e logo de seguida tendo um flashback sobre um episódio da sua vida como monge acerca desse tema. 

Mas o livro desilude mesmo é na superficialidade com que a mensagem é exposta, e na falta de inovação das ideias expostas.


5 de abril de 2020

Resenha: "Gestão Descontraída, mas Profissional", de Ricardo Parreira

Ficha técnica

Título: Gestão descontraída, mas profissional
Subtítulo: Como responder rapidamente aos desafios do negócio
Autor: Ricardo Parreira
Editora: Conjuntura Actual Editora
Ano: 2020
Páginas: 194 



__________



Ricardo Parreira, o autor, é fundador e CEO da empresa multinacional de software PHC, que fundou com dois amigos em 1989. É licenciado em gestão e MBA em marketing pela Universidade Católica Portuguesa. Destaca-se pela sua gestão prática, e pela forma como encara a cultura empresarial e a felicidade no trabalho.



No seu livro, o autor apresenta as suas técnicas de gestão e de liderança que aplicou e que vingaram na sua empresa. Trata-se de um verdadeiro livro de liderança e motivação de pessoas, essencialmente prático, sem grandes teorias.
O livro está dividido em três partes: gerir-mo-nos a nós próprios, gerir os colaboradores da empresa, e gerir a empresa. Neste livro, apesar da formação e experiência do autor, não nos são apresentadas estratégias de marketing, vendas, planeamento, finanças. O livro incide principalmente em gestão de pessoas, pois considera, corretamente, que as pessoas hoje em dia são os verdadeiros clientes da gestão. Acredito que, se o autor escrevesse de tudo o que aprendeu em 30 anos à frente da empresa o livro seria significativamente maior.


Na primeira parte, o autor discute a importância do foco, da gestão do tempo, de escolher os hábitos, e de ter um propósito na nossa vida.

Na segunda parte, o autor fala das suas estratégias e tácticas para liderar pessoas, atrair e reter talento classe 'A', e de como fazer do feedback uma poderosa ferramenta de crescimento profissional das pessoas, e consequentemente da empresa.

Na terceira e última parte, é-nos apresentada a forma detalhada de como a gestão da PHC conseguiu implementar uma cultura positiva, baseada em valores de excelência. Também aprendemos o método utilizado naquela empresa para reuniões produtivas. Por fim, o autor apresenta-nos o conceito best experience at work que tem implementado na sua empresa, levando-nos numa apresentação imaginativa às novas instalações.



Na minha opinião, o autor fez um excelente trabalho em apresentar um modelo simples e prático para a nossa gestão pessoal e para a gestão da empresa. Ao logo do livro, existem imensos conselhos de melhoria, que podem facilmente ser implementados na nossa vida. Gostei imenso das referências a Gordon Gekko, The Matrix e Back to the Future.
No fim do livro, o autor recomenda 12 espetaculares livros que mais impacto tiveram na sua vida enquanto gestor.


Recomendo este livro a todos gestores e empreendedores.

Nota final: 8/10



Para finalizar, agradeço à Almedina, por me ter cedido um exemplar e proporcionado uma leitura tão agradável.







13 de novembro de 2019

Built to Last, de Jim Collins

Neste post vou partilhar as minhas notas de leitura do livro Built to Last, de Jim Collins (Empresas de Sucesso, em português).

Já li o livro há dois anos, mas retive boas ideias e bastantes notas. O que segue vem diretamente dessas notas.



built to last.jpg



"Fazer relógios, não dizer as horas"


Existe o mito de que uma empresa de visão não precisa de um líder carismático, nem de um produto inovador. Na realidade, as empresas de sucesso têm gestores que, através da missão,valores e princípios de orientação, criam mecanismos que perduram para além dos fundadores e líderes.
O autor dá o exemplo de Sam Walton, que criou um sistema de incentivo e encorajamento para os colaboradores darem sugestões de melhoria, e efetivamente implementar as melhores sugestões. Também exemplifica usando o fundador da Sony, que logo de início definiu os valores e a cultura da empresa.


Génio do "E"


Jim Collins afirma que uma empresa de sucesso precisa de ter o génio do 'E', em vez da tirania do 'OU'. Tem de acreditar que é possível ter duas coisas, mesmo que pareçam incompatíveis. Por exemplo: ter uma ideologia nuclear e lucros; tradição e mudança; valores e propósito e progresso.
Uma empresa pode ter uma ideologia nuclear, mas d nada lhe vale se não aceitar a mudança e o progresso.
"Para ter sucesso é preciso liderar essa mudança" - Sam Walton
"Não podemos parar de trabalhar" - Henry Ford
Para além de ter uma ideologia nuclear, é necessário criar mecanismos concretos para disseminar a ideologia e o impulso por toda a organização. Preservar o núcleo e estimular o progresso.


Objectivos grandiosos, perigosos e ousados (OGPO)


Há que ter grandes objetivos, quase ridículos. As empresas de sucesso, no início tinham tão grandes objetivos que parecia ridículo. São fruto da visão do fundador/gestor/líder que tem total confiança de que é possível atingir esses objetivos.
Assim que um objetivo for cumprido, deve surgir outro OGPO para manter a empresa a mexer-se, rumo ao progresso.
Mesmo depois da saída do líder, a ideologia mantém-se, mantendo-se também o momentum em direção ao OGPO.


A cultura da empresa


A cultura provém da ideologia e dos valores. Nas empresas de sucesso, é quase como um culto ou uma seita.
Serve para construir uma organização que preserve a ideologia nuclear de forma concreta.
Exemplos de mecanismos de desenvolver a cultura de uma empresa:
- Programas de orientação e de treino (tanto ideológico como prático) - valores, normas, história, tradição
- Centros de formação internos
- Políticas de promoção interna, contratando jovens e formando-os desde a juventude
- Linguagem e dialecto únicos
- Processos de seleção rigorosos
- Prémios, concursos e reconhecimento público
- Penalizações tangíveis e intangíveis para aqueles que não seguem a ideologia
- Celebrar os êxitos, criar a sensação de pertencer a algo especial.


Progresso evolucionário


O progresso evolucionário é uma forma de estimular o progresso. Ao contrário dos OGPO, o progresso evolucionário não é planeado e resulta da capacidade da empresa se adaptar e experimentar ideias novas.
As empresas de visão prepara e planeiam a sucessão da gestão, e contratam internamente.
Têm institucionalizada uma cultura de melhoria contínua - Kaizen. Procuram todos os dias fazer melhor que no dia anterior.




Uma empresa de sucesso tem todos os passos anteriores alinhados e coerentes. Acredito que qualquer empresa pode ter sucesso, mas é essencial uma ideologia enraizada nas pessoas, uma cultura tipo culto, enormes objetivos, progresso evolucionário para que fazer perdurar o sucesso.

9 de novembro de 2019

Valorizar a cultura da empresa




Com um tecido empresarial composto por um enorme número de pequenas e médias empresas, é preocupante o facto de as lideranças, principalmente nas pequenas empresas, não terem em consideração a questão da cultura empresarial como fator importante do seu (in)sucesso, mesmo tratando-se de um tema sempre na ordem do dia. Nunca é demais citar Peter Drucker, a quem é atribuída a frase "a cultura come a estratégia ao pequeno almoço".


Quando falamos de cultura de uma empresa, referimo-nos aos comportamentos das pessoas na empresa e às convenções informais que moderam esses comportamentos. Falamos de todos os comportamentos expectáveis das pessoas, comportamentos esses que podem ou não servir os interesses da empresa. Apesar de todas as organizações terem uma cultura própria, e até subculturas nos seus departamentos e equipas, esta é regularmente instaurada por defeito, pois a empresa falha em definir e planear a sua própria cultura. Cabe ao líder da empresa o papel de expositor e consistente protetor de uma cultura que vá ao encontro dos interesses e objetivos da empresa.


No entanto, a mudança da cultura de uma empresa é um processo de longo prazo e de muito difícil implementação, pois aquela está enraizada nos valores, hábitos e rituais das pessoas. Não se trata de algo que possa ser alterado através de mudanças formais na empresa. Para se alterar a cultura empresarial, temos de começar pelos seus alicerces: os valores da empresa. Os valores servem como guia para o comportamento dentro da organização. Normalmente, os valores que devem ser alterados foram também eles instaurados por defeito na empresa, quer por não ter havido o cuidado de os definir, quer por não terem sido difundidos e enraizados por todas as pessoas na empresa. É uma pena que muitas empresas, na altura de definir os seus valores, optem por escolher clichés que nunca vão sair do papel. O empresário e autor Paulo de Vilhena recomenda, num dos seus livros, que sejam definidos entre seis a nove valores: dois ou três para a liderança, dois os três para as pessoas, e dois ou três com foco no mercado. Acredito que os valores certos, corretamente definidos, devem inspirar à excelência da organização. Os valores certos vão proporcionar os comportamentos, atitudes, hábitos e rituais que, consistentemente, servem o propósito da empresa e facilitam o alcance dos objetivos da empresa.


A cultura empresarial e os valores são como software da empresa. No entanto, para que o software funcione da melhor maneira, as empresas devem ter também excelentes processos de recrutamento e treinamento. Defendo, tal como Jim Collins, que se devem recrutar para a empresa apenas as pessoas certas, com valores e objetivos compatíveis com os da organização, e colocá-las nos lugares certos. Não apenas lhes ensinar os processos, mas também incutir-lhes o propósito da empresa e torná-los religiosos defensores dos valores da sua empresa.




Em termos práticos, acredito numa cultura que promove humor, reconhecimento, responsabilidade e disponibilidade. Desgosto de uma cultura que valorize o oposto. Coisas simples como pregar uma partida a um colega, reconhecer publicamente o desempenho ou uma atitude de alguém, atribuir responsabilidade com candura, demonstrar disponibilidade e interesse para escutar um subordinado, pode ter um enorme impacto na performance de cada pessoa e no sucesso da empresa. Como salientou Tom Peters na sua busca pela excelência, jamais se observou uma excelente empresa que não fosse detentora de uma forte e coesa cultura empresarial.